Se olharmos de maneira retrospectiva no que diz respeito à solidificação da psicologia como uma área de conhecimento desvinculada da filosofia, temos como marco principal Sigmund Freud. A psicanálise, apesar de todos os questionamentos e críticas tecidas quanto a sua construção teórica, tem uma lição importante a nos oferecer. Quando pensamos nesta abordagem, logo nos vem a imagem de um divã, um “homem” com seu charuto e cavanhaque tentando desvendar o que estava por traz das neuroses existentes na época. Freud acreditava que, entre outras coisas, era possível construir uma teoria da dinâmica psíquica através da prática clínica, através da suas observações e generalizações, algumas vezes questionáveis.
De alguma maneira, este homem percebeu que, o fazer clínico seria a ferramenta mais importante para qualquer tipo de mudança que pudéssemos trazer aos nossos pacientes. Infelizmente, ou talvez até por não possuir um método mais adequado para o conhecimento do que ocorre de maneira encoberta no ser humano, e na própria expectativa em responder questões até então não respondidas e muitas vezes nem ainda formuladas por outros, utilizou o trabalho clínico para a formulação teórica, sendo esta sua principal falha: o erro metodológico em sua investigação.
Após aproximadamente um século, o que podemos falar hoje da psicologia? Será que conseguimos corrigir esta falha? O que temos feito para o seu progresso no que diz respeito à interação entre teoria e prática?
Infelizmente, o que vemos ocorrer na psicologia no Brasil, é que, alguns profissionais adotam como referencial teórico Psicologias que estão em concordância aos métodos científicos atuais, podendo assim oferecer maior confiabilidade e possibilidade de replicabilidade de seus resultados. Perfeito! Conseguimos, ao adotar esta postura nos libertar do controle da Instituição Científica. Mas o que fizemos para aprimorar o que nos dá realmente a possibilidade de termos êxito em nossos consultórios, instituições acadêmicas e assistenciais em geral? Estamos falando da prática clínica do psicólogo como um ser biopsicosocial, que precisa aprender a fazer e não apenas a receber das instituições acadêmicas centenas, senão milhares de folhas de papel onde se discute teoria e a teoria da prática. Muitas vezes um aluno permanece por, no mínimo, cinco anos em sala de aula e tem o “privilégio” de conseguir estar com alguém que procura ajuda, por um ano, ou infelizmente menos do que isso.
Queremos com isso ressaltar que, infelizmente como em outros setores deste país, somos meros reprodutores de teorias e não saímos dos cursos superiores instrumentalizados nem tecnicamente nem emocionalmente para atender as diversas demandas que nos apareceram em nossa prática clínica.
Skinner em Ciência e Comportamento Humano nos diz que o ser humano é N=1, querendo dizer com isso que a compreensão deve ser baseada num pressuposto teórico sólido e cientificamente relevante, mas que, este que nos procura é único em sua história de vida, seus condicionamentos e generalizações.
Isto nos revela, mais uma vez que, de que o psicólogo precisa urgentemente compreender que devemos deixar as discussões e rivalidades teóricas, tão enaltecidas em nossas instituições de ensino, e nos focalizar na construção de uma prática clínica sólida, com um referencial teórico compreendido e internalizado e com habilidade prática relevante. Vemos que esta é a única possibilidade de realmente fazer diferença na vida de quem nos procura.
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